os bons morrem jovens...

Sabe... estou tentando me adaptar novamente a situação do "oi, como você esta? ah... que bom... sabia que nunca mais vou te ver novamente? é... tchau e boa viagem..." mas não é facil... não é nada facil... nunca foi e já me aconteceu algumas vezes...
primeiro foi Leo... me lembro a ultima vez que o vi... que conversamos... que rimos juntos... ele foi la em casa com sua irmã... eu tentando ser posuda e não demonstrar interesses maiores... apenas brincando sobre coisas banais como todas as mp3's das Spice Girls que eu tinha no meu HD e ele dizendo "aaahhh! eu quero!!" imitando uma bicha... e todos riram... ele parecia estar tão bem, tão feliz... depois conversamos só nós dois sobre tudo, e eu não percebi que era uma despedida, uma idiota que não percebeu que era uma despedida! caramba! o homem... o garoto... o amigo... o parceiro... o amante... o cara que eu mais considerava estava tentando me dizer que ia embora e eu não dei ouvidos, apenas desfrutava como uma egoista todos os minutos que podia ter com ele... ele riu quando tocou meu nariz e eu fiquei agoniada... me deu um beijo que jamais vou esquecer e eu falei "por que tu me beijou? vc disse que não iria dar certo... por que..." e ele não me deixou terminar a pergunta... me beijou novamente e me deu um abraço maravilhoso... no dia seguinte teve uma festa, que provavelmente ele iria, eu não estava com vontades de ir antes, mas depois daqueles beijos eu estava com esperanças de poder vê-lo... e fui... nada dele... pedi pra me deixarem em casa... e quando estou dormindo e chorando porque não o vi novamente... o telefone de casa toca, painho atende e me chama, as 3hs da madrugada...
depois foi Igor, mais conhecido por "cachorro"... a gente namorava... na verdade, eu nunca achei que fosse namorada dele... me considerava uma ficante, enquanto ele espalhava pra todos "essa é minha namorada" e eu nunca me senti assim com ele... não era por ruidades minhas, juro... apenas não me sentia namorada... passamos um bom tempo juntos... tempo demais pra apenas "ficantes"... ele sempre foi o tipo "malandro" e talvez por isso nunca botei fé em nada do que ele dizia... e isso arruinou nosso "namoro"... todos me falavam que ele estava apaixonado... todos falavam que ele tinha sumido, que não saía mais de casa, que não queria mais ir pros bares, botecos, puteiros e cia... mas mesmo assim, não era alguém que fosse ficar a vida toda desse jeito, eu sabia disso e no fundo acho que ele também sabia... nunca cheguei a falar pra ninguém da minha familia que eu estava namorando com ele... até porque eu nunca quis que a relação ficava séria... na epoca eu era virgem e nunca levei em consideração perder isso com ele... e ainda hoje acho que se tivesse acontecido eu teria ficado extremamente arrasada, ele teria me feito sofrer que eu sei... enfim... a ultima vez que nos vimos foi quando fui no Studio (trabalhavamos num Studio de Piercing e Tatuagem) e pedi pra conversar... ele disse que já sabia sobre o que era e achava melhor que eu apenas abraçasse e dissesse "tchau"... eu abracei, dei tchau, beijei sua testa e ele chorou... um monstrengo saradão mais do que gostosão cheio de tatuagens, com piercing no mamilo, chorando... simplesmente chorando... fiquei la um tempão com ele ainda... a gente conversou sobre outras coisas, dai começamos a nos acalmar e ele fez piadinhas... rimos juntos... brincamos... dai chegou o resto do povo e eu dei tchau pra ele... dei um beijo no rosto e fui embora... nunca mais o vi... ano passado, voltando de Caruaru, peguei um Taxi que estava com o radio ligado na "Bandeira 2" e soube que mataram um "Igor Cachorrão" por engano numa favela do Ibura... fiquei sem chão... =/
Agora, simplesmente o verão acabou... muito cedo... mais do que eu imaginei... sim, pra mim já acabou... me dei por vencida... Sou fraca demais e não sei se aguento perder mais alguém... e sei que vou perder mais alguém... e sempre de formas tão trágicas... mas, afinal, qual morte que não é trágica? porque até a morte de sentimentos é sofrida... toda morte é sofrimento... todo sofrimento é dor... e não sei se ainda estou preparada para passar por isso novamente... não consigo encontrar forças... não sei onde procura-las ainda...