segunda-feira, novembro 16, 2015

Era uma vez..?

Acho que o ano era 1998, eu era 5ª série ou 6ª série (1999), 12 ou 13 anos. Eram novos amigos, estava em uma classe nova, e fazia parte de um pequeno grupinho de amigas que são minhas amigas até hoje, graças a Deus. E era aniversário de uma delas, a mais doce e meiga, Gabriella. Como Gabi era filha-do-colégio (alguém que tem família que trabalha no mesmo) nós queríamos fazer uma festa pra ela em uma das salas dos 3°s anos e assim fizemos, uma "festa-surpresa" sem muita surpresa, ou nenhuma.

Tinha um garoto, T.F., que eu tinha uma queda, ele era bonitinho, mas afim de uma das minhas amigas, então, era só queda. Mas sabe como a gente fica boba e todo mundo nota? Todo mundo notava, ele notava. Mas eu era gorda, sempre fui, sempre fui A gorda da sala, e claro que isso não ia passar desapercebido né?

Crianças podem ser muito malvadas quando querem... Hoje o nome é "bullying", na minha época era só "arretar" e a gente ia pra casa, chorava e dia seguinte tava tudo bem, ou não. Eis que nesse dia, a festa já tinha terminado e eu estava sentada no chão... O carinha chega, com uma carinha fofa que só ele tinha, um sorrisão e me oferecendo a mão pra apoio para que eu me levantasse. Um sonho? Não. Era verdade.

Peguei na mão dele e senti um melecado, era brigadeiro. Ele colou um brigadeiro na mão, me deu a mão e ainda disse pra os amigos ao redor "pronto, pra ajudar uma gorda a levantar do chão é só dar um brigadeiro que ela levanta rápido. agora vai lá comer, vai, tas livre.".





Estou contando isso aqui, ainda não sei pra que, mas acho que mais como desabafo. A medida que eu for lembrando de mais algumas experiências de vida, vou adicionando. Não me levem a mal... Só estou usando um espaço que é meu. =)


Ah... me vinguei do T.F. no mesmo ano ou no ano seguinte. Com uma brincadeira que envolvia "espíritos". Ele se cagava de medo, ficou 3 dias com febre em casa e depois saiu do colégio. Desde então não tenho nenhuma notícia dele.

sábado, novembro 07, 2015

casos e mais casos..

Esse tempo todo sem "blogar", sem escrever nada sobre produtos recebidos ou conversar um pouco sobre livros... Tava dando um tempo ao tempo. Um tempo pra mim, um tempo pra Maysa, um tempo pra a vida.

Adoeci, tive crises de labirintite, o que me impossibilitou de fazer muitas coisas, dentre elas; ler.

Logo depois a minha melhora, Maysa adoeceu... e assim ficamos... Uma crise alérgica aqui, uma garganta inflamada ali... E foi passando o tempo e eu não tive como vir aqui, nem tive paciência de vir aqui.

O fato é que deixei de blogar pra mim e pra Maysa. Nesses últimos dias passei por um aperto financeiro onde não consegui pagar o domínio . com do meu blog e me vi já sem ele. Não que isso fosse fazer alguma diferença drástica na minha vida, mas faria uma pequena diferença sim. Perder o meu domínio . com me faria ficar com menos vontade ainda de continuar, e sempre vi o blog como uma "bengala" onde eu posso me escorar de vez em quando, quando o peso do mundo real dói nas minhas costas.

E percebi também que nunca mais relatei como anda nossas vidas, como Maysa tem se saído no seu dia a dia, como tem sido tudo. E hoje decidi voltar a isso, voltar a ser meu diário e o diário dela.

Primeiro, eu;

Minha saga para a cirurgia bariátrica esta cada vez mais difícil e penosa. Muitas vezes penso em desistir, em deixar o rumo das coisas seguirem sozinha e o que tiver de ser, será. Estou no auge dos meus 130kgs, uma obesidade mórbida, com problemas na coluna, joelho, tireoide, ovários e vários outros que se eu for relatar vai virar música do Arnaldo Antunes ( vide aqui O Pulso - Arnaldo Antunes ) e não é isso o que eu quero trazer pra cá hoje. Enfrento vários problemas todos os dias, preconceito, confeitos formados e conceitos duvidosos.

Esses dias fui fazer o ENEM e no primeiro dia de prova já vi que eu ia me dar mal, não pela prova, mas pelo ambiente. Fiz na IBGM e lá as cadeiras são para pessoas no máximo gordas. Obesos não tem vez. Mais da metade da minha bunda ficou de fora e minha barriga pulava em cima da alça da banca onde fazemos a prova. Fora isso, umas meninas na sala mandaram desligar o condicionador de ar. Com isso, um calor da murrinha se instalou na sala e eu em plena crise de enxaqueca comecei a suar horrores, chorar de dor de cabeça e com uma dor de ouvido que se aproximava. Resultado; primeiro dia de prova foi horrível, mas dei o direito as meninas de "não saber" que teria ar condicionado. Dia seguinte foi a mesma coisa, lógico, não mudariam as cadeiras de um dia pro outro, ainda mais quando ninguém havia reclamado (erro meu, deveria ter ido na diretoria, ou algo assim, e reclamado!) e mais uma vez as meninas mandaram desligar o ar e desse vez eu não me calei. Falei que não iriam desligar o ar condicionado coisa nenhuma, que do primeiro ao segundo dia foi dada a oportunidade de se prepararem para isso e elas não fizeram, eu não iria me martirizar novamente e aguentar o calor. Todo mundo aqui em PE reclama do calor, Recife então nem se fala... Mas quando vê um condicionador de ar, fica pagando de friozinho! Sabe o que tive de ouvir "Moço, faz assim, deixa esse lado de cá desligado porque somos todos magros e o lado de lá ligado no frio porque a GORDA (sinta o capslock porque foi bem entoada a palavra dita) 'TÁ MORRENO" de calor". Queria ter respondido melhor, queria ter sido mais fria e calculista, mas minha vontade era de sair daqui chorando, gritando de tanto chorar. Apenas consegui dizer que isso só provava que ela não estava preparada pra enfrentar a vida.

Fora o episódio do ENEM, tem vários outros. Um dia, quem sabe, não arrumo coragem de vir aqui relata-los. Mas hoje não, hoje eu só quero deitar a cabeça no travesseiro e dormir em paz. Sem lembrar, nem carregar todos esses desgostos agora.

~

Agora, Maysa;

Maysa é uma menina maravilhosa. Dorme a noite  toda, come quando mandada (sim, ela tem problemas com comer, tem nojinhos de muitas coisas ~ puxou a mim ~, mas não é de todo minha culpa, ela tem um paladar aguçado e sempre a faço experimentar de tudo, mas nem tudo ela gosta), esta se saindo bem na escola, não me da trabalho nenhum na rua, fala bem o quanto pode, é bem educada, um pouco tímida, ah... são muitas coisas pra atualizar e não vai ser num post só.

Muita coisa mudou, e hoje aos 3 anos, 10 meses e 11 dias, ela se mostra uma menina forte para doenças. Já faz um tempinho que ela pegou uma gripe bem pesada, mas sempre que precisava tomar remédio, tomava sem se queixar. Melhorada a gripe, veio essa semana uma crise alérgica que a deixou cheia de manchas e coceiras e a mamãe aqui super preocupada. Não dormi um segundo na noite da quinta pra a sexta--feira, de tão apreensiva que eu estava. E a pior coisa que uma mãe pode fazer nesses casos, é digitar os "sintomas" no Google. NUNCA FAÇAM ISSO! É horrível. Você vê várias possíveis e horríveis doenças e fica com o coração na mão, pedindo a Deus pra que aquilo fosse com você e não com seu filho. Pois bem, passamos a sexta-feira quase toda na emergência pediátrica de um hospital bem simples, mas bastante acolhedor, e mesmo cansada me senti em casa. Antes disso, na terça-feira, eu havia levado Maysa numa pediatra de um bairro "quase-nobre" da cidade, uma pediatra bem requisitada e tal... Eis que a primeira coisa que ela fala quando Maysa entra é "corte esse cabelo". Oi? Bom dia? Tudo Bom? Sei dos problemas do cabelo solto e junto aos olhos, prendo sempre, mas por serem finos, ele se solta. Faço o que posso. Mas ai a chegar num consultório e ser recebida com essa inquisição. Não! Vamos lá... Pergunta vai.. Pergunta vem... Sem nem esperar eu terminar de responder, eis que ela solta; "essa menina precisa perder essa timidez, esta quieta demais, isso não é normal numa criança". VEM CÁ, AMIGA! SENTA AQUI! Tu acha que a menina que acabou de chegar num lugar desconhecido, com uma mulher desconhecida enchendo sua mãe de perguntas, vendo o quanto a mãe esta desconfortável com a situação, a menina vai ficar de brincadeiras ou vai ficar quieta ouvindo???? E se fosse uma criança trelosa, que mexe em tudo, iria reclamar também, não iria?? Então! Eis que ela começa a ME criticar, criticar meu peso, meus hábitos, minha alimentação e no final, "receita" um famoso leite em pó sem lactose (sim!! aquele que você esta vendo propaganda dele o tempo todo na tv!!!). COMO ASSIM??? Somente no final da consulta foi que ela lembrou de examinar Maysa, que já não estava muito contente de ter que ficar nua e ser investigada por aquele ser tagarela que estava deixando sua mãe visivelmente irritada. Bom, Maysa se comporta muito bem em todo canto, até ver uma outra criança birrando. O que é bem normal, nada fora do comum ou absurdo. É muito carinhosa, chama os avós maternos de "mainha" e "painho" como eu os chamo, é apaixonada por vovô Carlos e vovó Andrea, mas só se lembra do primeiro quando diz que quer ir pra casa deles, o que faz a avó paterna falar "essa menina só tem avô!!!" hehehehe. Me pede pra cantar pra ela a noite uma de minhas músicas adaptadas a ela, e eu não nego nunca;

"Xô xô pavão... De cima do telhado... Deixa Maysa dormir o seu soninho assossegada... a. a.. a...aaaaa.... Maysa é muito linda, todo mundo diz que é... é o bebê de mamãe e a princesinha de papai... a. a.. a...aaaaaaa"

E com isso, encerro o post. Com informações aleatórias sobre obesidade e alguns casos de Maysa.

Vou voltar sempre que puder, só pra escrever coisas do tipo.
E pra terminar, algumas fotos nossas;