sábado, janeiro 03, 2015

D.A. desabafando

Nossa! Eu preciso desabafar... preciso escrever.. preciso chorar... simplesmente não tenho com quem falar.

Nunca fui ouvida, nunca. Como a caçula da família, sempre fui "café com leite" nas brincadeiras, e a "escada" pra alguma coisa depois dos 18 anos (conta em banco, empréstimos, empresas, cartões, etc). Mas, nunca ouvida. Minha opinião nunca valeu de nada, minhas vontades nunca valeram de nada, minhas decisões nunca foram respeitadas. Nada.

Hoje me vejo impotente. Peso 120~125kgs (parei de me pesar), faço o maior esforço do mundo, e não consigo cuidar de vó.

Quero ela pra mim, ela merece. Mas não tenho forças, nem dinheiro pra isso. E atualmente, sem fôlego, paciência, saúde.

Quero cuidar dela. Ela grita, me bate, fala nomes horríveis, mas quero ela pra mim.

Preciso da ajuda de mainha pro banho, e sofro muito com falta de ar com essa tarefa que era pra ser simples, afinal eu sou a ajudante...

Quero cuidar dela, mas tenho que cuidar de mim primeiro. Não quero a ajuda dos outros filhos dela, eles boçam demais. Sei que se não fosse um deles talvez ela nem estivesse aqui. Mas sei também que ela não se sente amada. Sei disso.

As vezes eu perco a paciência e acabo gritando com ela, como não devo! Me acalmo no mesmo momento e vejo que errei. Tento não repetir, mas o fato de ser sempre assim, de eu não dormir a noite, de não reversar com ninguém um sono de verdade, me faz ficar extremamente cansada. Mais do que o próprio peso me deixa.

Eu a amo. Mesmo ela nunca tendo deixado eu dar um abraço nela. Mesmo quando a gente se abraçava por se encontrar a cada 6 meses, ela sempre levantar o rosto, do jeito dela. Eu sei como é o jeito dela. Essa que ta aqui hoje não é ela. Ou é. Ou já foi. Não sei.

Perco a paciência, mas saio de perto e me acalmo. Vejo que é uma criança, alias, Maysa não da tanto trabalho como ela... Maysa já sabe que ela é especial... Pena que ela nem sabe quem é Maysa, filha de quem, neta de quem, bisneta de quem...

Ta doendo tanto ver e fazer parte desse esquema "joga ela pra lá" que ela se encontra. Ninguém quer ficar com ela. Meu Deus! Como ninguém quer ficar com ela? Os que tem dinheiro não querem, eu e mainha que somos fodidas não podemos.

Eu só queria dormir um pouco todos os dias, emagrecer pra aguentar o esforço de carrega-la e dar banho, ter alguém pra conversar e dividir o nervoso do dia e médicos que me respondessem, ajudassem, ouvissem.

Pow.. Ta doendo demais.
Ta doendo ser gorda, ser pobre, ser fraca, ser "invisível".

Vejo o rosto dela sempre retraído, mesmo quando dormindo. Como se fosse uma dor, e não é uma dor física. É uma dor na alma. Como se alguma coisa foi tirada dela.

Ela aqui, hoje, não é a "vó Quiterinha" minha, nem a "mãe" de mainha, nem a esposa de João Menino (ela nem lembra dele!!!), nem casou, nem teve filhos (as vezes tem uns 2 ou 3... muito de vez em quando solta o nome dos outros e logo esquece) e chama pela mãe e pelo pai. Hoje ela é a criança. Não toma o remédio, cospe, bota embaixo da língua, joga o copo longe, prende os dentes... alias, dentadura! Fora as vezes que cospe a dentadura pra fora e quando vou colocar de volta, fica de vomitar.

Já me bateu várias vezes, já bateu em Maysa... já tentou bater em mainha...

Meu Deus. Essa não é ela. Mas é ela quem eu amo.

Eu sei que estou esperando muita coisa de 2015... mas eu espero de coração que em 2015 eu arrume forças de ter ela comigo.