Ter alguém com D.A. na família é extremamente assustador.
Você olhar para aquela pessoa e não conseguir ver quem você conheceu e conviveu a vida toda. Reconhecer sua voz, seu rosto, mas não reconhecer seu olhar, muito menos sua essência. É assustador você imaginar que aquilo pode um dia acontecer com você, que é questão de tempo, não tem saída, ou tem. Ai você começa a querer aproveitar a vida, fazer o que mais gosta, o que te faz bem, e fazer o máximo possível... como se amanhã fosse tarde demais... e vai que é...
Minha vó sempre foi muito vaidosa, determinada, chata, independente, cheia de vida, viva. Eu passava as férias com ela, nós nos escondíamos para que ela catasse meus piolhos porque ela não queria que os vizinhos vissem que eu estava cheia deles. Ela comprava um saco cheio daquelas pipocas pequenas, pra que durasse 15 dias e eles não duravam nem 1 semana e ela ficava arretada. Ela me acordava cedo para irmos a feira da cidade. Ela me levava para as procissões e pra as festas e parques do dia 20 de janeiro lá em Belo Jardim. Já fomos fazer peregrinação para a Pedra lá pertinho de Pesqueira, onde tem a aldeia dos índios e uma imagem de Nossa Senhora. Já fomos a praia de Boa Viagem juntas, e ela sempre reclamando porque eu bagunçava demais. Nossa como eu a amava... e hoje, mais ainda!
Me sinto tão culpada, tão culpada. Não queria esquecer de nada do que ela já fez por mim. Não queria me esquecer dela. Não vou. Espero que o tempo passe logo e que ela chegue logo aqui em casa novamente.